quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Homenagem ao teclado

Mais uma vez venho pedir auxílio ao teclado ao invés de pedir ajuda à caneta e ao papel, com eles minha conversa de desabafo sempre era na verdade um monólogo. O texto quando era escrito no papel, acabava saindo da minha mente silencioso e a caneta que o escrevia obedecia minha mão sem nenhuma reação, morta. Com o teclado é diferente, a madrugada fica mais sonora menos solitária, sinto como se às vezes meu pensamento interagisse com o tec-tec das teclas, mesmo sabendo que o som delas é conseqüência dele, me vem a sensação de estar num diálogo.

Apesar de não ser da minha época, muitas vezes pensei em comprar uma maquina de escrever, acho que o som de suas teclas é muito mais melódico que o som das do teclado, mas não é só isso, acho que ela possui um charme único, porem a praticidade tecnológica fala mais alto, os recursos que um computador oferece superam qualquer estilização do ato de escrever, mas quem sabe um dia eu equilibre as coisas e arranje uma maneira de conectar uma maquina de escrever a um computador, ou pelo menos construa um teclado customizado.

O teclado a bebida e o cigarro são para alguns escritores amadores companheiros vitais, no meu caso aprecio somente a companhia do primeiro, sinto que me distrairia com a atenção que teria de dar aos outros dois enquanto me compenetro na conversa.

A solidão para alguns escritores é intensa, constante e necessária, uma solidão não somente física, mas também sentimental, ela funciona mais como um isolamento dentro de si mesmo. Alguns autores mais experientes têm controle disso e sabem dosar essa situação, conseguem suprimi-la quando querem, conseguem entrar dentro dela o suficiente para deixar os pensamentos claros dentro mente que é conturbada pelo dia a dia. Mas eu não tenho esse controle.

Por isso o teclado para mim é tão importante ele me serve de freio e me ajuda a controlar esse isolamento. O som descompromissado e constante de suas teclas impede que eu me afunde descontroladamente na solidão de autoria, o tec-tec me serve de bóia e me mantém na superfície de mim mesmo, ele impede que eu afunde em minhas profundezas e me perca entre meus sentimentos naufragados e minhas inspirações abissais. Ele não é só um instrumento que eu uso para escrever também é minha trava de segurança, meu colete inflável, ele é indispensável e nunca lhe dei a atenção merecida

Decidi escrever um texto em sua homenagem ao meu teclado , voltar totalmente a atenção da minha inspiração para ele, pelo menos uma vez. obrigado [ctrl + vlw]

3 comentários:

  1. muito bom, depois dessa tenho q rever meus conceitos sobre meu teclado, cuidar mais dele sabe... eu ia troca-ló por um teclado sem fio, apenas pelo prazer mórbido de escrever deitado na cama, um viva à preguiça e aqueles que fazem bom uso dela...
    mas agora terei um lugar de respeito para meu velho teclado

    ResponderExcluir
  2. auhsuiahsiuahsh

    nossaaa me identifiquei muito com o texto,pois o meu teclado é único!! só o meu teclado é da Pucca!!!! hahaha ele eh ótimo.. e tem todos os atalhos que preciso.. rs
    mas falando sério.. esse meu amigo escritor ai é ótimo mesmo.. adorei a singularidade do texto.. em falar de uma "peça" do computador como se fosse alguém vivo..

    e viva ao meu teclado da Pucca!!!!! hahaha

    ResponderExcluir
  3. Depois desse texto cuidarei mais do meu teclado, já perdi as contas de quantas as vezes ele caiu no chão e suas peças se soltaram!!! Oo
    Enfim!!! Ameeei seu texto!!! Já tinha te dito que você escreve escreve bem!!!
    Queria eu ter essa capacidade, ams acho que tudo o que eu escrevo não fica bom!!!
    Adorei seu blog, Filipóóóóón!!! =]

    hahahhahahhha

    ResponderExcluir